revista Hebraica, julho/agosto 2008

Eventos Culturais em Washington, DC

Obra de Beto Rossi exposta em Washington, DC ilustra anúncio
cultural à época de sua exposição

 

 

The Washington Post
September, 1/2000

Galleries
A guide to Washington/Baltimore
metropolitan area art galleries - page 10


Galleries
A guide to Washington/ Baltimore Metropolitan
area art galleries - p
age 3


Revista Viver Bem
Setembro 2000 - página 24

Jornal Fala Brasil
Agosto/2000 - Página 6

 

Revista Dartis - Revista de Artes Plásticas
ano I - nº 5 - página 15

Jornal do Centro - Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
Agosto/2000 - Página 11

Boletim Informativo Clube Alto dos Pinheiros
agosto/2000

Jornal Fala Brasil
Agosto/2000 - Página 6

 

Jornal Fala Brasil - RS
Agosto/2000 - c
apa

Revista Casa & Mercado
Setembro 2001 - ano 3 - nº 14
Edição comemorativa
Página 30 - obra de Roberto Rossi

Revista Finestra N. 34
Exposição Permanente de Roberto Rossi
no EuroCentro

Jornal da Corte - Angra dos Reis - RJ
7 a 10 de fevereiro/2002 - Nota na Coluna Social

Exposição de Roberto Rossi no Espaço Cultural
da Marinha Porto Bracuhy


Jornal BrasilTuris - fevereiro/2002
Nota na Coluna de Sergio Monte Alegrel

Exposição de Roberto Rossi no Espaço Cultural
da Marinha Porto Bracuhy

Jornal Maré Angra dos Reis - RJ
1 fevereiro/2002 -
Nota na Coluna Social - Página 3
Exposição de Roberto Rossi no Espaço Cultural
da Marinha Porto Bracuhy

O Estado de São Paulo/Brasil
5 de novembro de 1998 - Página Z3

Calendário UNIFIEO - 1999
Duas Peras, obra de Beto Rossi

Calendário UNIFIEO 2000
Bananacana, obra de Beto Rossi


Entrevista ao site Barão em Revista, sexta-feira,
20 de fevereiro de 2004

A pintura é o meu trabalho
Entrevista com o artista plástico Roberto Rossi


Duas crianças conversam e uma pergunta à outra: "O que faz seu pai? O amigo responde: Desenha, pinta... Volta ao interlocutor: E ele não trabalha?". Isso pode parecer engraçado, porém, é mais normal do que se possa imaginar, fruto da ausência de informação e de cultura (algo cultivado).

No entanto, a arte está presente no cotidiano, embora o cidadão comum não perceba e não disponha de meios para conhecê-la e apreciá-la. Para o artista plástico Roberto Rossi, a introdução dos primórdios das artes plásticas na escola é fundamental para que a criança cresça acostumada com o meio artístico, seja ele qual for.

Paulistano e publicitário por mais de 27 anos, Roberto Rossi é artista autodidata, sendo que a arte manifesta-se em sua vida desde a infância. Ele inicia sua vida profissional, em 1971, na mais conceituada editora de livros jurídicos na época, como revisor. Ainda um garoto de 16 anos, a alma do artista adquire uma formação riquíssima: a convivência com textos e autores muito diferentes, a linguagem acadêmica, erudita etc. Essa profissão quase permitiria que, ainda muito jovem, Roberto Rossi pudesse obter o seu registro de jornalista profissional, não fosse a regulamentação da profissão. A ligação da editora com a gráfica, fez com que o artista migrasse para as artes gráficas. De 1976 a 1988, Roberto trabalhou uma conhecida agência, o que lhe permitiu conviver com o melhores profissionais de criação da época e conhecer, em detalhes, técnicas de fotografia, laboratório, estúdio, direção de arte, redação e a criação em áreas como propaganda, merchandising e design.

A partir de 1988, Roberto Rossi passa a ter seu próprio escritório de comunicação e começa a se dedicar mais intensivamente à pintura, que hoje é o seu trabalho. Em 1997 realiza sua primeira, praticamente uma imposição dos amigos. Desde então, outras oportunidades surgiram e o trabalho do artista torna-se conhecido também internacionalmente, bem como a exposição realizada em Washington, nos EUA (www.absolutearts.com/portfolios/r/robertorossi). O artista tem recebido constantes convites para novas exposições internacionais, como Córsega, Barcelona e França, porém, ele aguarda possíveis patrocinadores.

A técnica básica utilizada por ele é a acrílica, mas a utilização de técnica mista, bem como a utilização de outros materiais também compõe a sua arte. Sendo autodidata, o uso de diversos materiais é algo certo. O resultado é uma obra com cores muito vivas, em geral, retratando a natureza, especialmente as frutas. Segundo ele, a diversidade de cores na natureza, é uma característica brasileira.

Em entrevista, Roberto Rossi comenta sobre a necessidade de difusão das artes para uma maior fatia da população e também da importância das associações e sindicatos.

Barão em Revista: Na sua opinião, como anda o mercado de artes plásticas no Brasil? Há alguma tendência a melhorar?

Roberto Rossi: O mercado anda parado. Surpreendentemente vemos milagres como tantos outros. E também os otimistas. O principal mesmo, em todo este país, é que as pessoas vejam a arte de maneira séria, reconheçam-na como uma representante da cultura e da expressão de um povo e de um país. Dêem-lhe o devido valor, percebendo que é um investimento. E investimento sério. Talvez devessem ler a história da criação da National Gallery, em Washington, afinal, ninguém é eterno, a arte sim. Vamos eternizar os doadores de coleções, vamos tomar atitudes corajosas. A tendência à melhora depende muito mais que esses colecionadores, investidores, bancos, empresas em geral identifiquem aí um investimento realmente rentável, uma moeda internacional. Somente respeitando os artistas e sua arte é que teremos um novo identificador para a nossa cultura e uma moeda internacional de troca. Acredito que o Brasil mereça um olhar mais sério sobre esta arte que produz, abrindo o leque de artistas destacados, e recebendo os novos de maneira digna. Precisamos pensar no mercado brasileiro de arte produzida aqui. Senão, a boa arte irá embora também.

B. R. De acordo com o release no seu site, você mantém uma posição também política enquanto artista, uma vez que é filiado ao SINAPESP e ao Comitê Nacional. Como funcionam essas entidades no campo das artes? Em geral, qual é o índice de participação dos artistas?

Roberto: Sou filiado ao SINAPESP - Sindicato dos Artistas Plásticos do Estado de São Paulo, que por sua vez é vinculado ao Comitê Nacional Brasileiro da AIAP/UNESCO, Associação Internacional de Artes Plásticas. O artista imagina sempre que estas entidades possam chegar a fazer algo com e para a classe. Imaginamos chegar a poder ter, um dia, talvez, um fundo como o americano para apoio ao artista. Mas tudo isto, me parece, está bem longe de acontecer aqui. É importante que se tenha uma entidade representativa, porque aqui no Brasil as caminhadas são feitas isoladamente ou em pequenos grupos dominantes. No meu caso, a caminhada é continuamente solitária. Acredito, por exemplo, que a AUTVIS - Associação Brasileira dos Direitos de Autores Visuais (www.autvis.com.br), tenha muita coisa a oferecer, diferentemente de um sindicato, mas tão presente e diretamente ligada à defesa do direito do autor, internacionalmente, já que o artista também vive dificuldades em ter/manter estruturas que o atendam em tantas áreas vinculadas à documentação, orientação, literatura legal, comercialização, utilização de imagem. A presença da AUTVIS, hoje, é um grande presente aos criadores de artes visuais.

B. R. Embora o cidadão comum não perceba, a arte está presente em seu cotidiano. De que forma você acha que a "arte elitizada", que fica restrita a uma determinada fatia da sociedade, pode ser disseminada a um público maior?

Roberto: Você tem toda a razão quando diz que a arte está presente no cotidiano. Precisamos de orientação a respeito delas. Sem formar especificamente a cultura de arte nas escolas, dificilmente você irá desenvolver a curiosidade, o olhar para o belo e o estético, ou inocular no observador algo que lhe arranque da mesmice e do comum. Afinal, quantas obras estão aqui e ali, e nenhuma explicação. Quantas pessoas passam diariamente por ruas, tendo contato com obras, monumentos, esculturas, e nunca pararam para observar aquilo. Isto faz parte da educação. Quando me pergunta sobre a arte elitizada, tem que ser mostrada também. Explicada como toda e qualquer arte, afinal uma minoria poderia falar sobre ela. Talvez assim consigamos desenvolver um mercado mais sério. Quanto à divulgação: eventos! Isto a propaganda me ensinou. Como artista, sinto que a grande divisão entre arte e povo está na divulgação e na educação. Temos que ensinar crianças a valorizarem a arte, aprender a pensar em investimento, não existe outra maneira. Convencer as pessoas a conhecerem e visitarem normalmente as galerias, elas nunca estão nos roteiros culturais quando não apresentam exposições específicas. Acredito nas mostras, acredito nos centros de cultura, acredito na divulgação. E, novamente lembro: o artista não consegue pagar ou fazer tudo sozinho, sem apoio de empresas que podem destinar um volume de verba que lhes trará mais que o retorno imaginado. Isto eu posso afirmar, sejam livros, catálogos, exposições, divulgação do trabalho do artista, de editoras realmente interessadas, que busquem ajudar o criador, até os admirados e respeitados patrocinadores. Tendo mais boas idéias? Coloquem para funcionar!

B. R. Qual foi o fator principal que o levou à pintura?

Roberto: A coragem. A pintura é um talento inato. Algumas coisas você sabe que sabe. Muitas vezes leva anos fora do seu caminho, tentando sobreviver. Não faz nada mais que isso, porque de fato não sobra tempo. Fui à pintura por ter sido ela a constante em toda a minha vida. Novamente entramos no assunto cultural. Me lembro a história de duas crianças conversando e uma delas pergunta à outra: "- O que faz seu pai? O amigo responde: - Desenha, pinta... Volta ao interlocutor: - E ele não trabalha?"

B. R. Você já trabalhou ou tentou trabalhar com outras técnicas, assim como outros materiais e tendências como escultura e outros?

Roberto: Uso acrílico. Foi uma opção, e acabo aplicando alguma coisa de colagem. Algum pó de mármore e outros materiais, dependendo do momento. Até fôrma de mousse já utilizei porque ficava ali, me olhando... Experimentei, sem a devida determinação, alguma coisa em escultura. Hoje penso mais seriamente em produzir gravuras. Este mercado é muito respeitado internacionalmente. O trabalho em papel, em geral, tem um bom resultado comercial no exterior.

B. R. Em geral, você utiliza bastante cor nas suas telas, qual ou quais os artistas que exerceram maior influência na sua arte e porque a preferência por natureza, especialmente as frutas (melancias, peras, cajus, etc.).

Roberto: As cores são quase que um patrimônio nacional, coisa do Brasil! O que vemos que vão mudando são as luzes. Acredito que a cor pura começa aqui. A maneira de utilizar essas cores é que causa o grande evento, porque são a representação do olhar. Para mim isto é a saída para o meu trabalho. É do olhar que surgem a necessidade da reprodução, à minha maneira, de toda essa exuberância iluminada que este país lindo nos oferece. E foram estas cores que levaram tantos admiradores para a minha arte, e também perceber no público estrangeiro, que visita minhas exposições, a reação quando está em contato com essas cores fortes. Os artistas que se emocionam são muitos. E onde gosto de viver bons momentos, é com Matisse, Cézanne, Picasso... Não abriria mão de nenhum grande pintor, em detrimento de outro.

B. R. De que forma a pintura exerce influência no seu trabalho cotidiano (nesse caso, a publicidade)?

Roberto: A Pintura é o meu trabalho, ela pode influenciar muito outros trabalhos que porventura eu desenvolva. Enfim, quando você opta pela pintura, nota que tem um problema a resolver. Muitos pintores têm que trabalhar em atividades que sustentem as fases ruins da pintura. Será bom pegar algum projeto para as horas mais calmas. Claro, há que ter cuidado: a publicidade é absorvente e vai tentar se impor como um bom provedor. Quero continuar na pintura, e tentar, sim, buscar na publicidade a patrocinadora, de fato, da minha obra, conseguindo apoiadores bons, patrocinadores para que eu consiga concretizar algumas exposições para as quais fui convidado e ainda não consegui realizar: na Europa, por exemplo.

B. R. No seu site, há cartas e bilhetes de crianças fazendo menções à sua obra. Como se deu esse contato? Você tem preocupação especial em apresentar seus quadros às crianças? Como é isso?

Roberto: Primeiro gostaria de lembrar que 99% das crianças que me presenteiam com seus desenhos, eu nunca vi. O contato nasceu da visita delas às minhas exposições. Naturalmente estas crianças vão às tardes, com seus pais, aos quais só tenho a agradecer: Desenvolvem uma nova consciência cultural desde muito cedo em seus filhos, algo raro e muito necessário desde a infância. Estas obras que me presenteiam são feitas no livro de ouro das minhas exposições, redesenhando o que observam na minha pintura, fazendo comentários com suas letras ainda em formação, e sempre tendo um posicionamento muito interessante, firme, determinado e autêntico. Ali tenho a expressão mais pura e crítica. O resultado tem sido bom, e a crítica também, pelo que leio. Novamente percebo que as crianças se interessam muito por esta minha arte, pelas cores, elementos pictóricos... Quando cheguei nos Estados Unidos, em Washington, as crianças, com meus catálogos nas mãos faziam pinturas de melancias, flores e me presenteavam. Outras me ofereciam um tag para a porta do hotel, com estrelas e letras com meu nome, uma gentileza, uma alegria, e novos amigos que se aproximaram pela arte.
Eram momentos muito agradáveis aqueles em que pude observar a atitude das crianças com relação àquelas imagens que estavam ali à sua frente (Neste caso, crianças com no máximo cinco anos). Com tão boa recepção por parte dessas crianças, e atento ao projeto de inclusão, uma campanha constante de muitas instituições assistenciais no Brasil, resolvi, agora em maio, na exposição que fiz no Clube Paineiras do Morumby, em São Paulo, convidar 18 alunos da Oficina de Arte da APAE de São Paulo, com seus desenhos de observação (retrato do amigo), desenvolvido sob a orientação da Professora Jô Mognon. Um trabalho belíssimo que fez muito sucesso. Essa aproximação vem acontecendo naturalmente, e me fez voltar ainda mais atenção a tudo o que essas crianças vêm dizendo.

B. R. Poderia explicar melhor seu projeto de Arte Aberta? Como funciona e de que forma este projeto contribui para democratização das artes plásticas?

Roberto: Esta foi a maneira que encontrei para desenvolver uma obra esteticamente bonita, com grande extensão horizontal, trabalhando com cores que se harmonizam ou tensionam, em 11 pêras, um signo que gosto muito de pintar. Dessa forma, as onze podem ser apresentadas ou comercializadas juntas ou separadas, e, assim, tornam-se uma obra aberta, na qual mais de um colecionador tem parte de uma mesma obra, em que cada pêra tem o seu número. A intenção é movimentar o mercado, criar um evento, fazer uma aproximação entre colecionadores, gerar uma crítica, e também criar uma intimidade maior entre o público e a minha obra. Afinal o projeto de obra aberta chama-se "As 11 peras. Onde estão as outras 10?". Hoje estas pêras já estão em alguns locais do Brasil, e amanhã poderão estar também no exterior. Tento acompanhar suas andanças. A democratização pode se dar no fato das pessoas com a obra, conhecerem sua história. Sinceramente espero que, em momento oportuno, alguém tente aproximar estas peças todas, e fazer uma apresentação completa desta obra aberta.