Clic. Converti todas as telas em flores plenas. Que silhuetas elegantes pintava
em seus cavaletes?

Pus-me imediatamente à timidez vendo flores como quem pudesse corrigir a timidez das flores, e como quem pudesse mesmo pintá-las em seu silêncio.

Seria o embrião do simbolismo?
É Roberto Rossi!

Usa verdes perigosos, perto mesmo do perigo silencioso. Silêncio de Hölderlin, e um silêncio quase minimalista de Fang poeticamente azul.

Quantos pares de olhos estão à vista de Roberto Rossi para ler-lhe as linhas expressionistas de sua arte?

Ler as canções de mapas quase dicromáticos indicando que sua intuição pictórica é gratificante, mesmo quando vela seus amarelos em detrimento do desenho!

Ler sua escrita moderna através do quase-abstrato também é ver sua tendência em incriminar-se por estados que Apollinaire chamaria de floridiscência.

Roberto Rossi é um pintor que pinta flores dificilmente silenciosas, que gritam alto pelo sucesso que as espera em nossas retinas!

É preciso ler flores ...

Zé Augustho Marques
Crítico de Arte, Poeta e Escritor

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

 

 

 

Roberto Rossi é um dos artistas que tem o raro privilégio de pintar como quer.

Não pesa sobre ele a influência de um professor nem uma escola: é autodidata.

Nada influi sobre ele quando toma os pincéis pelo puro prazer de pintar, à exceção de seu profundo amor por seu país natal: o Brasil e sua belíssima natureza.

Esta alegria vital de "pintar por pintar" se percebe em toda a obra deste pintor brasileiro. Suas flores, frutas, personagens humanos têm o encanto do espontâneo, felicidade, da profunda beleza espiritual e humana do artista, coincidindo com o colorido dos românticos pintores impressionistas que buscavam uma nova maneira de encontrar a realidade.

Roberto Rossi a encontra de uma maneira singular, plástica. A sinceridade é o mérito desta pintura. Reflexo de uma alma sincera, prodígio de uma inspiração criadora, dona da cor e da sugestão, cada quadro é todo um universo de singular beleza natural. A cor te eleva a um sonho brasileiro.

Não é coincidência que Roberto Rossi venha a expor nesta galeria, situada ao lado do Phillips Collection (primeiro museu de arte moderna dos Estados Unidos), onde se mantém uma aura de inspiração pelo poético da arte impressionista, romântica e moderna. E onde viveu Renoir, assim como outros pintores contemporâneos franceses do princípio do século, durante sua estada em Washington.

A galeria, localizada também no cruzamento de embaixadas internacionais, representando as nações do mundo, ao lado do Dupont Circle, conhecido como o Centro de Manifestações para mudanças sociais mais radicais deste século. Assim como de Adams Morgan, o bairro multicultural e reflexo da sociedade global em que vivemos.

É sem dúvida um privilégio, ter um artista tão simpático e representativo em nossa cidade de Washington.

Maria Andrews - Manager